A Berliner Dom é um dos edifícios que mais se destaca no centro de Berlim. Fica na Museuminsel, mesmo junto ao rio Spree, e chama logo a atenção essencialmente pela sua dimensão e pela enorme cúpula verde. Tivemos oportunidade de a visitar durante uma viagem que fizemos no final de Maio para conhecer a capital alemã e, além de entrarmos na catedral, aproveitámos também para subir à cúpula e ver todo o centro de Berlim de uma forma bem privilegiada.

Construída no início do século XX, a Berliner Dom tem uma história que começa muito antes do edifício que é possível ver atualmente. O local já tinha sido ocupado por outras igrejas e, ao longo dos anos, foi sendo alterado até chegar à construção da atual catedral. A Berliner Dom foi inaugurada em 1905, mas a sua história acabou também por ficar marcada pela Segunda Guerra Mundial, quando sofreu danos bastante significativos. A reconstrução demorou várias décadas e só mais tarde voltou a abrir ao público. Neste artigo vou-vos dar a conhecer um pouco melhor a história deste edifício e explicar como funciona a visita, incluindo os horários, os preços e o que podem esperar encontrar.

Vários séculos de história

A história da Berliner Dom remonta a 1465, quando a antiga Capela de Santo Erasmo, que fazia parte do palácio real de Cölln, passou a ter o estatuto de igreja colegiada. Ou seja, uma igreja administrada por um grupo de membros do clero e com uma importância religiosa especial na região. Ao longo dos séculos, o espaço foi sendo alterado e chegou mesmo a mudar de localização dentro da atual zona da Museuminsel, também conhecida como Ilha dos Museus, bem no centro de Berlim. Em 1536, a igreja passou a seguir o luteranismo, uma das principais correntes do protestantismo, criada a partir das ideias de Martinho Lutero durante a Reforma Protestante. Esta mudança teve um impacto enorme na vida religiosa da região, que deixou de seguir a tradição católica e passou a estar ligada ao movimento protestante que se espalhava pela Europa naquela altura. A partir daí, a igreja foi ganhando cada vez mais importância e ficou também cada vez mais ligada à família Hohenzollern, que governava Brandemburgo e viria mais tarde a tornar-se uma das famílias mais importantes da história da Prússia e da Alemanha.

No século XIX, Berlim estava a crescer rapidamente e a antiga catedral começava a ficar pequena para a cidade. A situação tornou-se ainda mais evidente depois da criação do Império Alemão, em 1871, quando Berlim passou a ser a capital do novo império e ganhou um papel político ainda maior. A antiga Berliner Dom já não era considerada suficientemente grandiosa para representar a cidade e a própria monarquia, e começou então a ganhar força a ideia de construir uma nova catedral no mesmo local. O projeto ficou a cargo do arquiteto Julius Carl Raschdorff, que desenhou um edifício muito maior e mais imponente, com uma grande cúpula e várias torres. As obras começaram em 1894 e prolongaram-se durante mais de dez anos, até à inauguração da atual Berliner Dom, em 1905.

A Berliner Dom continuou a fazer parte da paisagem de Berlim durante várias décadas, até que a Segunda Guerra Mundial mudou completamente a cidade e o mundo. Entre 1939 e 1945, Berlim foi fortemente bombardeada e muitos dos edifícios do centro ficaram destruídos ou bastante danificados. A Berliner Dom também acabou por ser atingida várias vezes. Em 1940, os bombardeamentos já tinham destruído os vitrais e causado estragos nas fachadas, mas o pior aconteceu em 1944. Uma bomba incendiária atingiu a cúpula, provocou um incêndio e destruiu parte da estrutura do edifício, causando também danos na cripta dos Hohenzollern, onde estavam sepultados vários membros da família. Quando a guerra terminou, em 1945, a Berliner Dom estava muito danificada, tal como grande parte da cidade. Havia edifícios e infraestruturas destruídos em vários pontos de Berlim e a reconstrução de tudo não podia acontecer de um dia para o outro. Por isso, a Berliner Dom teve de esperar alguns anos até começarem os primeiros trabalhos de reconstrução.

Os trabalhos de reconstrução começaram em 1975, numa altura em que Berlim continuava dividida entre o lado Ocidental e o lado Oriental. A Berliner Dom ficava em Berlim Oriental e, desde 1961, a cidade estava separada pelo Muro de Berlim, que dividia famílias, bairros e toda a vida da cidade. Mesmo com esta divisão, os trabalhos na catedral foram avançando e algumas partes acabaram por ser reconstruídas de forma diferente daquilo que existia antes da guerra. Em 1989, o Muro de Berlim caiu e, no ano seguinte, a Alemanha voltou a ser um só país. A Berliner Dom continuou então a ser recuperada e reabriu ao público em 1993, embora alguns trabalhos de restauro tenham continuado nos anos seguintes. Quando visitámos a catedral, em Maio, estavam a decorrer algumas obras de restauro num dos lados da cúpula, por isso tivemos de aceitar que os andaimes também iam fazer parte das nossas fotografias.

Fachada principal da Berliner Dom, vista do jardim em frente, com o repuxo ao fundoPormenor das cúpulas da Berliner Dom, com a Fernsehturm ao fundoInterior da cúpula principal da Berliner Dom, vista de baixo, com os mosaicos douradosAltar da Berliner Dom, com vitrais coloridos e a estátua de LuteroInterior da nave da Berliner Dom, com os bancos de madeira e o altar ao fundoÓrgão da Berliner Dom, com os seus tubos de madeira e prataCripta dos Hohenzollern, com vários sarcófagos e caixões dispostos entre as colunasPormenor do púlpito e do altar dourado da Berliner DomEscadas em espiral dentro da cúpula da Berliner Dom, durante a subidaVista sobre o Altes Museum e o centro de Berlim, a partir da cúpula da Berliner DomVista sobre a cúpula do Bode Museum e o horizonte de BerlimPormenor de uma estátua de anjo em bronze na cúpula, com a Fernsehturm ao fundo

A nossa visita

Fomos visitar a Berliner Dom durante a manhã e conseguimos chegar logo à abertura, por isso estava tudo bem calmo e com poucas pessoas. Como já tínhamos comprado os bilhetes online, foi mesmo rápido. Mostrámos o bilhete e seguimos para a entrada, onde nos disseram logo para deixar as mochilas nos lockers, porque não era permitido entrar com elas. E, sejamos sinceros, as nossas costas até agradeceram por essa regra. Depois de deixarmos as mochilas, entrámos na catedral e ficámos logo surpreendidos. É muito bonita por dentro e a cúpula, vista de baixo, é igualmente imponente! Fomos andando pelo interior com calma, subimos até ao piso de cima para conseguir ver a zona da nave de outra perspetiva e acabámos por passar por uma pequena zona de museu onde eram explicados alguns detalhes da construção da catedral e as técnicas que foram utilizadas na altura.

Seguimos depois para a cripta da catedral, que foi provavelmente a parte que mais nos surpreendeu durante a visita. Sabíamos que a cripta estava incluída no percurso, mas não estávamos à espera de encontrar um espaço tão grande e com tantos caixões e sarcófagos, de diferentes estilos e tamanhos. Alguns são bastante simples, mas há outros que são mesmo muito trabalhados e acabam logo por chamar a atenção.

Uma das partes que mais queríamos conhecer era a cúpula, por isso continuámos o percurso até às escadas que nos levavam até lá. A subida está dividida em duas partes e, apesar de serem alguns degraus, não me lembro de ter achado particularmente difícil, logo não deve de ser muito complicado! Primeiro subimos por umas escadas mais largas e, depois de percorrermos um pequeno corredor, estávamos perante umas escadas mais altas e estreitas que nos levavam até à zona exterior da cúpula. No nosso caso, foi uma subida bastante tranquila e também ajudou o facto de não nos termos cruzado com ninguém durante o percurso. Além disso, a descida é feita por outro lado, por isso não há aquele risco de estarmos sempre a cruzar-nos com pessoas a subir ou a descer em sentido contrário.

Lá em cima podemos dar a volta completa à cúpula e foi engraçado conseguir ver Berlim de vários lados e ângulos. Conseguíamos ver a Alexanderplatz, o rio Spree e vários dos sítios por onde já tínhamos passado, além de toda a zona envolvente. Dá para perceber muito melhor como o centro da cidade está organizado! Tivemos também bastante sorte com o tempo, porque estava sol e o céu estava quase limpo, com apenas algumas nuvens, por isso a vista estava ótima. Ficámos lá uns 10 a 15 minutos a aproveitar a vista e a tirar algumas fotografias antes de começarmos a descida.

A descida foi então feita por umas escadas diferentes das que tínhamos usado para subir e fomos dar novamente à zona dos cacifos, onde tínhamos deixado a mochila. A saída é feita pela loja de lembrancinhas, onde ainda demos uma vista de olhos, mas acabámos por não comprar nada.

  • Horário: 09.00h às 18.00h de segunda a sábado, 12.00h às 18.00h ao domingo
  • Preço: 15,00€ por pessoa
  • Duração da visita: 1.00h a 1.30h
  • Dificuldade da subida: fácil a moderada (são 270 degraus no total)
Cristina sorridente numa ponte, com a Berliner Dom e a Fernsehturm ao fundoCristina em frente à Berliner Dom, junto ao repuxo do jardimHomem a observar a fachada da Berliner Dom, com o repuxo em primeiro planoCristina sorridente junto à entrada principal da Berliner DomHomem a observar o órgão da Berliner Dom a partir de uma galeria interiorCristina a observar os pormenores dourados junto ao altar da Berliner DomCristina sorridente na varanda exterior da cúpula, com a cidade de Berlim ao fundoCasal sorridente na varanda da cúpula, com a Fernsehturm ao fundo

No fundo, acho que a visita à Berliner Dom valeu mesmo a pena e foi uma experiência bastante completa, desde conhecer o interior da catedral e a cripta até à subida à cúpula e à vista sobre Berlim. Para quem vai visitar Berlim pela primeira vez, eu colocaria a Berliner Dom logo a seguir ao Muro de Berlim na lista de sítios a não perder. É uma visita que junta história, arquitetura e ainda uma vista muito bonita sobre a cidade, por isso acredito que merece mesmo um lugar de destaque no vosso roteiro. 🩷

Acompanha aqui todos os posts da nossa viagem por Berlim para descobrires os sítios que visitámos na cidade.