Localizada bem no centro da cidade, a Montanha Diecai é um dos pontos mais conhecidos de Guilin para quem quer ter uma vista diferente e elevada sobre a cidade. Apesar de não ser uma montanha enorme, é preciso subir uns degraus bem jeitosos até chegar aos diferentes miradouros, mas a subida faz-se bem, até porque existem alguns pontos de interesse pelo caminho. Lá de cima é possível ter vistas panorâmicas sobre o Rio Li, a cidade e as montanhas cársicas que rodeiam toda a região.

Incluímos a visita à Montanha Diecai logo de manhã, no nosso único dia completo em Guilin, porque somos claramente team madrugadores. Se não fomos dos primeiros a entrar no complexo, devíamos estar facilmente no top 10. Para dormir, dormimos em casa! Fizemos a subida e todo o percurso com calma, porque estava muito calor e não dava para andar facilmente de um lado para o outro. Neste artigo vou contar-vos como foi a nossa visita, o que encontrámos durante a subida e se achamos que vale a pena incluir a Montanha Diecai num roteiro por Guilin. E já agora, se também vão visitar a China, deixo-vos aqui todos os posts sobre o país.

A história por trás da Montanha Diecai

A Montanha Diecai fica junto ao Rio Li e é formada por várias colinas e picos, sendo o Bright Moon Peak o ponto mais alto. O nome Diecai está relacionado com o aspeto das formações rochosas da montanha, que aparecem em várias camadas sobrepostas. Pode ser difícil imaginar só pela descrição, mas estas camadas fazem lembrar um tecido de seda dobrado, dando à montanha um aspeto muito característico. Ao longo dos anos, a Diecai foi ganhando importância não só pela paisagem e pelas vistas sobre Guilin, mas também pelas grutas, inscrições e outros elementos históricos que se encontram no seu complexo. Hoje, é sobretudo conhecida por juntar num espaço relativamente pequeno natureza, história e alguns dos melhores pontos para observar a cidade de Guilin.

A sua importância cresceu durante a dinastia Tang, quando Guilin passou a receber escritores, poetas e outras figuras ligadas à cultura. Um dos nomes associados ao local é o de Yuan Hui, um oficial dessa mesma dinastia que terá visitado a montanha no século VIII e escrito sobre aquilo que encontrou. A partir daí, foi ficando cada vez mais ligada à história e à cultura de Guilin, atraindo pessoas que vinham não só pelas paisagens, mas também pelas formações rochosas e pelas grutas existentes na zona. Algumas das marcas deixadas por essas visitas ainda hoje podem ser encontradas nas rochas e fazem parte do percurso pelo complexo.

Uma das coisas que mais chama a atenção na Diecai são as inscrições espalhadas pelas várias rochas. Ao longo dos anos, as pessoas que passaram por aqui deixaram poemas, frases e outros registos gravados na pedra, muitos deles relacionados com as paisagens de Guilin. Há inscrições de diferentes períodos, o que faz do passeio uma espécie de percurso pela história da cidade. Algumas estão bastante visíveis, mas outras aparecem no meio das rochas e das grutas, por isso é preciso ir com alguma atenção enquanto se sobe para as conseguir ver. Outro dos pontos importantes da Diecai é a Wind Cave, uma gruta que atravessa a montanha e onde também se encontram várias inscrições e esculturas. Existem cerca de 178 inscrições gravadas nas rochas e 98 estátuas de Buda, distribuídas por 24 nichos. Muitas destas peças foram sendo acrescentadas em diferentes períodos e mostram a importância que este lugar teve para quem visitava Guilin.

Para além da sua importância histórica, a Diecai também ficou conhecida pela relação com a paisagem de Guilin. A vista sobre o Rio Li e as montanhas em redor fez com que este fosse um lugar muito procurado, e ao longo do tempo a paisagem da região foi aparecendo em poemas, pinturas e noutros trabalhos artísticos, ajudando a criar a imagem de Guilin como um dos lugares mais bonitos da China. Com o passar dos anos, a zona foi sendo adaptada para receber visitantes e hoje em dia conta com um percurso bem delineado que liga os vários pontos de interesse existentes na montanha, com caminhos, escadas e miradouros que permitem explorar o complexo com alguma facilidade, apesar de haver algumas partes mais inclinadas. O complexo ocupa cerca de 10,8 hectares e o Bright Moon Peak, o ponto mais alto, chega aos 223 metros de altitude. Atualmente, a Montanha Diecai é uma das atrações mais conhecidas de Guilin e continua a ser um dos locais escolhidos para ter uma vista panorâmica sobre a cidade e a paisagem em redor.

Painel informativo sobre a Diecai Hill Scenic Area, com mapa do complexo e a sua históriaVista panorâmica de Guilin a partir da Montanha Diecai, com o Grande Teatro e as montanhas cársicas ao fundoColina cársica junto ao Rio Li, vista do alto da Montanha DiecaiVista do Rio Li e da cidade de Guilin, emoldurada por ramos de árvoreVista aérea de Guilin, com o Rio Li e as montanhas cársicas ao fundoVista aérea de uma zona lacustre em Guilin, com um pagode vermelho rodeado de água e montanhas cársicasTartaruga de terra num tanque de vidro, junto a um letreiro em chinêsCabaças coloridas penduradas junto a uma gruta, com uma estátua dourada em primeiro plano

O que visitar

Dentro do complexo da Montanha Diecai existem vários pontos de interesse que podem ser visitados ao longo do percurso principal, enquanto outros obrigam a um pequeno desvio. Para vos ajudar a perceber melhor o que podem encontrar na montanha, os principais pontos encontram-se listados de seguida, juntamente com uma pequena descrição para vos dar algum contexto sobre cada um deles.

Bright Moon Peak (明月峰)

Com 223 metros de altitude, o Bright Moon Peak é o ponto mais alto da Montanha Diecai e um dos locais que mais justifica todo o suor da subida. No topo, o Cloud-Catching Pavilion marca o ponto mais alto do percurso e oferece uma vista panorâmica sobre Guilin. É um daqueles sítios onde vale a pena parar uns minutos, nem que seja só para recuperar o fôlego antes de começar a descer.

Wind Cave (风洞)

A Wind Cave é uma gruta que atravessa a montanha e o seu nome está relacionado com a corrente de ar que se faz sentir no seu interior. Como existem aberturas que permitem a circulação do ar, cria-se uma espécie de corrente dentro da gruta. Nos dias mais quentes, posso-vos dizer que entrar aqui sabe mesmo bem. Quando nos aproximamos, nota-se logo uma corrente de ar fresca a vir da gruta que, no nosso caso, nos ajudou a refrescar um pouco antes de continuarmos a subida.

Diecai Pavilion (叠彩亭)

O Diecai Pavilion fica localizado logo no início do caminho principal da subida para o Bright Moon Peak. Trata-se de um pavilhão tradicional chinês, com telhado verde, colunas vermelhas e uma planta em forma de cruz, construído para servir como zona de descanso. O pavilhão original foi construído durante a dinastia Qing, por iniciativa de Qin Huan, que era o responsável pela administração de Guilin, e acabou por ser reconstruído em 1958. Na parte da frente podemos ver uma placa com o nome “Diecai Mountain”, escrita pelo calígrafo Wang Xiajü. Ainda junto ao pavilhão existe uma inscrição antiga com as palavras “Jiangshan Huijing Chu”, que significa algo como “o lugar onde se encontram as paisagens do rio e das montanhas”.

Yuyue Hill / Yuyue Pavilion

A Yuyue Hill é conhecida sobretudo pelo Yuyue Pavilion, um pequeno pavilhão construído no topo da colina. O pavilhão tem uma arquitetura tradicional chinesa e é um dos vários pontos de descanso existentes ao longo do percurso. A partir daqui conseguimos ter uma perspetiva diferente do Bright Moon Peak e observar com mais detalhe as diversas formações rochosas da montanha.

Crane Peak (Xianhe Peak) e Siwang Hill

Também conhecido como Xianhe Peak, o Crane Peak e o Siwang Hill são duas das quatro formações que compõem a Montanha Diecai, juntamente com a Yuyue Hill e o Bright Moon Peak. O Crane Peak deve o seu nome ao formato do pico, que faz lembrar uma garça. Já o nome Siwang Hill está relacionado com a ideia de olhar para longe, algo que faz todo o sentido tendo em conta a vista que se consegue obter a partir desta zona da montanha.

Over-the-River Pavilion / Wangjiang Pavilion e outros pequenos pavilhões

Ao longo do percurso encontramos ainda alguns pavilhões mais pequenos, como o Over-the-River Pavilion, também conhecido como Wangjiang Pavilion. São sobretudo espaços que permitem aos visitantes parar um pouco para descansar as pernas e, ao mesmo tempo, aproveitar as vistas da paisagem em redor. Depois de tantas escadas, qualquer sítio com um banco começa a parecer uma atração turística por si só.

Homem a passar junto ao painel com o mapa do complexo Dois Rios e Quatro Lagos, incluindo a Montanha DiecaiCristina sentada num miradouro com colunas vermelhas, com o Rio Li e as montanhas cársicas de Guilin ao fundoHomem a subir um caminho de pedra rodeado de vegetação tropical, na Montanha DiecaiCasal sorridente junto a um portão de pedra, rodeado de árvores, na Montanha DiecaiCristina a observar uma rocha com uma inscrição antiga gravada em caracteres chinesesHomem sorridente junto a um pavilhão tradicional chinês, com telhado verde e colunas vermelhasCristina sorridente junto a painéis com cabaças coloridas penduradas, dentro da Wind CaveHomem sorridente junto a estátuas douradas de Buda, dentro da Wind CaveCristina de costas a observar o interior da Wind Cave, com esculturas de Buda gravadas na rochaHomem sorridente encostado à rocha, junto a uma marca natural que faz lembrar um rostoCristina sorridente no topo da Montanha Diecai, com a cidade de Guilin e as montanhas cársicas ao fundoHomem a observar a vista sobre Guilin a partir do topo da montanha, com o rio e as montanhas cársicas ao fundoCasal sorridente no topo da Montanha Diecai, com a cidade de Guilin ao fundoCristina de costas a observar o Rio Li e o Elephant Trunk Hill a partir do topo da montanhaHomem a observar uma pedra com uma inscrição antiga gravada, com as montanhas cársicas de Guilin ao fundoCristina sorridente junto à grade do miradouro, com as montanhas cársicas e uma vila tradicional chinesa ao fundo

Nós estivemos pouco menos de 2 horas a conhecer todos os pontos de atração da Montanha Diecai e, sinceramente, acho que este é um tempo bastante razoável para fazer o percurso com calma. Considero que estamos numa boa condição física, por isso a subida não nos custou muito, mas estava bastante calor e isso não ajudava muito. Fomos subindo tranquilamente e íamos parando de vez em quando nos vários pavilhões para descansar um pouco. Uma das paragens que melhor nos soube foi a Wind Cave, onde aquela corrente de ar fresca soube especialmente bem depois de tanta escada. Numa das salas que dá acesso à gruta vimos também uma tartaruga gigante que, pelo que percebemos, já tinha muitos anos. Já não me lembro ao certo de quantos, mas eram mesmo muitos!

O facto de termos ido logo à abertura do complexo acho que também ajudou a conseguirmos aproveitar e realmente usufruir da visita. Quando chegámos não estava ninguém à nossa frente, comprámos os bilhetes e entrámos logo, sendo que a entrada é feita através de uns simples torniquetes onde validamos o bilhete. Durante praticamente todo o percurso cruzámo-nos com cinco ou seis pessoas, no máximo, o que, tendo em conta que estávamos na China, é quase um feito! De vez em quando lá passava um chinês por nós, escadas acima ou abaixo, a correr como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Tenho mesmo a sensação de que, para muitos deles, aquelas escadas são quase um passeio normal, enquanto nós já íamos a achar que estávamos a fazer cardio suficiente para a semana inteira. Mas isto das escadas e da condição física dos chineses já dava outra história... Sinto mesmo que eles são de outra fibra, pelo menos comparando com a minha!

  • Horário: 07.00h às 18.30h, de Abril a Outubro, com última entrada às 18.00h
  • Duração da visita: cerca de 1.30h a 2.00h
  • Preço: 35 RMB por pessoa (cerca de 4,40€)
  • Dificuldade: fácil a moderada, mas com bastantes escadas

Visitámos a China em Abril de 2025, numa viagem de cerca de duas semanas que nos levou por várias cidades e nos mostrou lados muito diferentes do país. Foi uma verdadeira caixinha de surpresas, daquelas viagens que apetece mesmo voltar a repetir. Guilin ajudou bastante a tornar esta viagem ainda mais especial, principalmente pela paisagem completamente diferente daquilo que tínhamos encontrado nas outras cidades. A Montanha Diecai foi também uma das visitas de que mais gostámos em Guilin, sobretudo pela perspetiva que nos deu sobre a cidade. Se visitarem Guilin, recomendamos que façam o percurso pela montanha, porque achamos que vale mesmo a pena. 🩷

Perguntas frequentes

Montanha Diecai, um dos melhores miradouros de Guilin

A Montanha Diecai é um dos melhores miradouros de Guilin, com vistas panorâmicas sobre o Rio Li e as montanhas cársicas. Contamos a história por trás da montanha, o que visitar ao longo da subida e como foi a nossa visita, logo na abertura do complexo.

Quanto tempo demora a visitar a Montanha Diecai?

Entre 1h30 e 2h, para fazer o percurso com calma.

Qual o horário da Montanha Diecai?

Está aberta das 07.00h às 18.30h, de Abril a Outubro, com última entrada às 18.00h.

Quanto custa a entrada na Montanha Diecai?

35 RMB por pessoa (cerca de 4,40€).

A subida à Montanha Diecai é difícil?

É fácil a moderada, mas com bastantes escadas ao longo do percurso.

Qual a altura do Bright Moon Peak?

223 metros, o ponto mais alto da Montanha Diecai.

Quando foi construído o Diecai Pavilion?

O original é da dinastia Qing; o atual foi reconstruído em 1958.

O que é a Wind Cave?

Uma gruta que atravessa a montanha, com inscrições antigas e 98 estátuas de Buda.