
À descoberta do Complexo do Castelo de Hiroshima
Quando se fala em Hiroshima, é praticamente impossível não pensar na bomba atómica e nos acontecimentos que marcaram a cidade para sempre. Mas Hiroshima é muito mais do que esse episódio da sua história. Entre memoriais, jardins, templos e museus, há vários locais que merecem ser visitados e que ajudam a conhecer um lado diferente da cidade.
Um desses lugares é o Complexo do Castelo de Hiroshima. Muito antes de a cidade ficar para sempre ligada aos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, foi aqui que nasceu o seu centro político e militar. Atualmente, este espaço convida a fazer uma viagem no tempo até ao Japão Feudal, uma época em que os senhores feudais e os samurais governavam esta região. Apesar de o castelo original ter sido destruído pela bomba atómica, o complexo foi reconstruído e continua a ser um dos principais símbolos de Hiroshima, oferecendo aos visitantes uma perspetiva diferente sobre a história da cidade.
A história do Castelo de Hiroshima
Antes de Hiroshima se tornar conhecida em todo o mundo pelos acontecimentos de 1945, já era uma cidade de enorme importância no Japão Feudal. O Castelo de Hiroshima começou a ser construído em 1589, por iniciativa de Mōri Terumoto, um dos mais influentes senhores feudais do Japão. Ao contrário do que era habitual, Terumoto optou por erguer o castelo numa planície, junto ao delta do rio Ōta, em vez de o construir numa montanha. A decisão revelou-se estratégica, permitindo controlar as principais rotas comerciais e marítimas, reforçar a sua defesa e consolidar o poder do clã Mōri. A presença do castelo impulsionou o crescimento de Hiroshima, que rapidamente se tornou o principal polo político e económico da região.
Em 1600, após a Batalha de Sekigahara, o Castelo de Hiroshima entrou numa nova fase da sua história. Com a derrota de Mōri Terumoto, passou para o controlo do clã Fukushima e, poucos anos depois, foi entregue ao clã Asano, que governou o território durante cerca de 250 anos, ao longo do período Edo. Foi nesta época que o castelo deixou de ter apenas uma função militar e passou a assumir um papel central na administração da província. Era aqui que residia o daimiô e de onde eram tomadas as principais decisões políticas e económicas.
O dia mais trágico da história do Castelo de Hiroshima foi a 6 de Agosto de 1945. A explosão da bomba atómica destruiu praticamente toda a sua estrutura. O castelo ficava a cerca de um quilómetro do local da explosão e apenas as suas fundações em pedra resistiram. Durante vários anos, o castelo permaneceu em ruínas, tornando-se um dos símbolos da devastação causada pela explosão. Em 1958, a torre principal foi reconstruída em betão armado, recuperando a aparência do edifício original. Durante décadas funcionou como museu, embora atualmente esteja encerrada devido a um novo projeto de reconstrução em madeira, inspirado na estrutura original do castelo.
Visitar o complexo
Embora a maioria dos visitantes se concentre na torre principal, vale a pena reservar algum tempo para explorar todo o complexo do Castelo de Hiroshima, que ajuda a compreender a importância histórica deste espaço e a evolução da cidade ao longo dos séculos. O acesso é gratuito e, graças à sua localização central, esta é uma visita fácil de incluir num dia dedicado a conhecer Hiroshima.
- Horário: acessível a qualquer hora
- Preço: gratuito
Torre principal
A torre principal é, sem dúvida, o grande destaque do Castelo de Hiroshima. Com cinco pisos e uma arquitetura inspirada na fortaleza original do século XVI, funcionou durante várias décadas como um museu dedicado à história do castelo e da cidade. A torre original integrava um conjunto composto por duas torres secundárias ligadas por passagens cobertas, uma configuração rara entre os castelos japoneses. Atualmente, a torre encontra-se encerrada ao público, uma vez que a cidade pretende substituir a estrutura de betão por uma nova construção em madeira, mais fiel à fortaleza de origem.
Muralhas, fossos e jardins
O parque que rodeia o castelo é um dos espaços verdes mais tranquilos do centro da cidade. Apesar dos estragos causados pela bomba, algumas ruínas das antigas muralhas de pedra ainda permanecem de pé e podem ser observadas durante um passeio. Os fossos em torno do castelo resistiram e ajudam a perceber melhor a dimensão e o sistema defensivo desta antiga fortaleza. Na Primavera, durante a época do hanami, as cerejeiras transformam todo o complexo num cenário repleto de tons de rosa. Mesmo fora dessa altura, os jardins são bem encantadores e, após alguns dias de chuva, é frequente ver pequenos cogumelos a surgir na relva, um pormenor que chama facilmente a atenção de quem passa.
Santuário Hiroshima Gokoku
No lado sul do complexo do castelo encontra-se o Santuário Hiroshima Gokoku. Fundado em 1868, foi destruído pela bomba atómica, tal como a maioria dos edifícios da região, tendo sido reconstruído em 1965. O grande torii à entrada destaca-se facilmente durante o passeio e marca a passagem para este espaço sagrado. Atualmente, continua a ser um local de culto ativo do xintoísmo, dedicado aos homens e mulheres de Hiroshima que perderam a vida em diferentes conflitos.
Árvores sobreviventes da bomba atómica
A destruição provocada pela bomba atómica atingiu também a Natureza, afetando gravemente as árvores e plantas das zonas mais próximas da explosão devido ao calor extremo, à onda de choque e à radiação. Ainda assim, algumas árvores conseguiram sobreviver e tornaram-se símbolos de resistência e esperança para Hiroshima. Conhecidas como hibaku jumoku (literalmente, árvores atingidas pela bomba), representam a capacidade de recuperação da Natureza após uma das maiores tragédias da cidade. No complexo do castelo encontram-se duas destas árvores: a A-bombed Survivor Camphor Tree e a A-bombed Survivor Eucalyptus Tree. Apesar dos danos sofridos, ambas conseguiram voltar a crescer e são atualmente testemunhos vivos da história da cidade.












O complexo do castelo foi a nossa primeira paragem em Hiroshima. Assim que saímos da estação de comboios, seguimos diretamente para lá, dando início à descoberta da cidade. Chegámos bem cedo, quando a cidade ainda estava tranquila e havia poucas pessoas na rua. Demos uma volta completa pelo complexo, passando pelos seus principais pontos de interesse, com destaque para a torre principal e para alguns elementos da antiga estrutura defensiva do castelo, como a Nakamikado Gate, a Omotegomon Gate e a Gomon Bridge. Visitámos também o Santuário Hiroshima Gokoku e o seu imponente torii, junto aos grandes pilares de pedra com inscrições que marcam a entrada neste espaço sagrado. Foi uma excelente forma de começar a explorar Hiroshima, antes de seguirmos para aquele que seria o principal motivo da nossa visita à cidade: o Parque Memorial da Paz.
Mais do que um simples castelo reconstruído, este complexo do Castelo de Hiroshima reúne séculos da história japonesa, vestígios da antiga fortaleza e marcas profundas deixadas pela bomba atómica. Com um dia inteiro em Hiroshima, este é um dos lugares que merece ser incluído no teu roteiro. 🩷
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