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Já aluguei carros em viagens muito diferentes entre si. Desde road trips longas na Austrália, nos Estados Unidos e na Nova Zelândia, a uma minivan no Japão para irmos até ao Monte Fuji, passando até por um carro em Cabo Verde que, olhando para trás, devia claramente ter sido um jipe. Em 2024, houve ainda uma situação particularmente caricata em Paris Beauvais, onde alugámos um carro apenas para guardar as malas durante uma escala. Não havia cacifos no aeroporto nem nas proximidades e, como éramos seis pessoas, com seis malas e várias mochilas, essa acabou por ser a solução mais prática. O carro nem sequer saiu do parque da rent-a-car.

Ao longo dos anos fui percebendo que alugar um carro em viagem está longe de ser só escolher o mais barato, colocar os dados do cartão e esperar que tudo corra bem. Há destinos onde alugar um carro facilita imenso a viagem e outros onde pode acabar por dar mais dores de cabeça do que liberdade. Há documentos que podem ser obrigatórios, carros que parecem enormes até começarmos a enfiar malas lá dentro e seguros que só passam a parecer realmente importantes quando alguma coisa corre mal.

As 5 regras que tenho sempre em conta

Depois de vários alugueres, algumas escolhas acertadas e outras que hoje faria de forma diferente, há cinco regras que passei a ter sempre em conta antes de reservar um carro e que, na prática, acabam por evitar muitos problemas.

1. Perceber se vale mesmo a pena conduzir naquele destino

Antes de começar sequer a comparar preços, começo por tentar perceber se faz mesmo sentido conduzir naquele destino. Há países onde ter carro facilita imenso a viagem e outros onde pode acabar por ser uma fonte de stress constante. Na China, no Vietname ou no Uzbequistão, por exemplo, eu pensaria duas vezes antes de o fazer. A forma de conduzir é muito diferente daquela a que estamos habituados em Portugal e, por vezes, parece mesmo que as regras de trânsito são opcionais.

Já vimos estradas com carros a ocupar cinco faixas de rodagem num espaço onde mal caberiam duas, mudanças de direção inesperadas, motas com quatro pessoas, ou seja, uma verdadeira confusão para os meus parâmetros. Não quer dizer que seja impossível conduzir nesses países, mas, para mim, a questão é simples. Se o carro vai complicar mais do que ajudar, prefiro usar transportes públicos, táxis ou aplicações locais e deixar a condução para quem já está habituado àquele trânsito.

2. Confirmar se é preciso Carta de Condução Internacional

Outra coisa que confirmo sempre é se a nossa carta de condução é suficiente ou se é necessário levar também uma Carta de Condução Internacional. Nem todos os países têm as mesmas regras e, em alguns casos, este documento acaba mesmo por ser obrigatório. Já nos aconteceu no Japão e, mais recentemente, na Nova Zelândia, por isso é daqueles detalhes que prefiro tratar ainda antes da viagem do que descobrir no balcão da rent-a-car e ficar de mãos e pés atados. Mas também já tratámos do documento e, no fim, nem sequer foi necessário. Na Austrália, por exemplo, ninguém nos pediu nada, mas conheço quem tenha alugado carro no mesmo país e a quem exigiram logo a Carta de Condução Internacional no levantamento. Por isso, quando existe alguma dúvida, prefiro ter o trabalho de a levar e acabar por não precisar dela do que descobrir demasiado tarde que afinal fazia falta.

Em Portugal, para tratar deste documento basta marcar o atendimento no site ou na app do SIGA e levar uma fotografia tipo passe. Depois, resolve-se tudo presencialmente, sendo que o pior de todo o processo acaba mesmo por ser pagar a respetiva taxa, que da última vez que tratámos disto rondava os 30,00€ - não sei se entretanto também já foi vítima da inflação. De resto, é bastante rápido! Em cerca de meia hora saímos de lá com a Carta de Condução Internacional na mão.

3. Escolher o carro certo para a viagem

Também aprendi a não olhar apenas para o preço. Às vezes o carro mais barato parece servir perfeitamente, até chegar o momento da verdade de tentar enfiar lá dentro pessoas, malas e mochilas. Quanto maior for a viagem, mais importante se torna pensar no espaço, no conforto e até no tipo de estrada que vamos encontrar pelo caminho.

No Japão, por exemplo, como éramos seis, fomos logo para uma minivan. Na Nova Zelândia também sabíamos que íamos fazer muitos quilómetros, por isso queríamos um carro confortável e com espaço suficiente para três malas grandes, uma pequena e quatro mochilas. Já em Cabo Verde, na Ilha do Sal, fizemos exatamente o contrário do que devíamos ter feito. Alugámos um carro citadino para dar a volta à ilha, mas, se fosse hoje, tinha escolhido um jipe sem pensar duas vezes! Havia estradas em tão mau estado que houve momentos em que só pensava que íamos dar cabo do carro ou furar um pneu no meio do nada. Às vezes, pagar um pouco mais pelo carro certo evita muita chatice pelo caminho. Por mais que em Cabo Verde seja tudo “no stress”, nós conseguimos arranjar maneira de stressar nas férias sem necessidade nenhuma.

4. Comparar bem antes de reservar

Antes de reservar, gosto sempre de perceber que opções existem e o que muda realmente de umas para as outras. Nem sempre o carro mais barato acaba por ser o melhor negócio, porque depois aparecem diferenças na caução, na franquia, no combustível, no número de condutores incluídos ou nas condições de cancelamento. É por isso que prefiro comparar tudo primeiro, em vez de escolher logo a primeira opção que aparece.

Uma das plataformas que recomendo para isso é a DiscoverCars. Junta ofertas de várias rent-a-car e permite comparar preços, condições e avaliações de outros viajantes sem termos de andar a saltar de site em site. Para mim, uma das partes mais úteis é conseguir perceber logo coisas que muitas vezes ficam meio escondidas no momento da reserva, como o valor do depósito, as condições da caução ou aquilo que está realmente incluído no preço apresentado. Também gosto do facto de terem cancelamento gratuito até 48 horas antes do levantamento e apoio ao cliente 24 horas por dia. Óbvio que, no fim, continuo sempre a ler as condições com atenção antes de pagar, porque cada rent-a-car tem as suas regras e aí não há milagres. Mas ter essa comparação toda feita na mesma plataforma poupa bastante tempo e evita aquele clássico de escolher a opção mais barata e só depois percebermos o motivo.

5. Não poupar no seguro

No seguro, confesso que prefiro não facilitar. Sempre que posso, escolho uma opção com franquia baixa ou sem franquia e tenho especial atenção às coberturas incluídas. Vidros e pneus, por exemplo, nem sempre estão segurados e basta um azar para o orçamento da viagem subir rapidamente.

Na Nova Zelândia tivemos um exemplo perfeito disso. A certa altura, uma pedra minúscula bateu no para-brisas enquanto íamos a conduzir e deixou logo uma pequena marca no vidro. Felizmente, tínhamos cobertura para vidros, por isso ficámos relativamente descansados. Ainda assim, quando chegou a hora de devolver o carro, estávamos um pouco naquela de ver se iam reparar na marca e se nos iam bloquear parte da caução. No fim, correu tudo bem e não tivemos qualquer problema. Ainda acabámos por fazer uma pequena batota. Nos últimos dias evitámos usar demasiado os limpa-para-brisas para o vidro continuar suficientemente sujo e a marca não dar logo nas vistas. Não façam isto em casa! No fundo, foi mais uma daquelas situações que nos confirmou que vale a pena perceber bem o que o seguro cobre antes de reservar.

Alugar um carro pode dar uma liberdade incrível durante uma viagem e, em muitos destinos, faz mesmo toda a diferença. Permite parar onde queremos, mudar planos à última hora e conhecer sítios que nem sequer são alcançáveis de transportes públicos. Mas essa liberdade só compensa quando temos a segurança de que a reserva foi bem feita e que não vamos passar a viagem preocupados com o que pode correr mal.

Com o tempo fui percebendo que são precisamente os pequenos detalhes que evitam as maiores dores de cabeça. O carro certo, os documentos, as condições da reserva ou um seguro um pouco melhor podem parecer coisas secundárias quando ainda estamos a planear a viagem, mas tornam-se rapidamente importantes quando já estamos do outro lado do mundo. No fim de contas, o objetivo é ter um carro para facilitar a viagem, não para criar mais um problema. 🩷