
Neonia, uma experiência interativa no coração do Porto
O World to Explore foi convidado a visitar a Neonia e os bilhetes foram-nos oferecidos. Ainda assim, as opiniões partilhadas neste artigo são totalmente nossas e refletem apenas a nossa experiência.
Inaugurada em 2024, a Neonia é um museu interativo e imersivo localizado na Rua de Ceuta, em pleno centro do Porto, a poucos minutos a pé da Avenida dos Aliados. O espaço junta história, arte, ciência e tecnologia, dando a conhecer a cidade de uma forma bastante diferente do habitual. Ao contrário dos museus mais tradicionais, a Neonia deixa os visitantes mexerem nas coisas à vontade, convidando-os a interagir com os diferentes espaços e a experimentar as várias atividades disponíveis ao longo das 20 salas de exposição.
Sou do Porto e confesso que, até há bem pouco tempo, nunca tinha ouvido falar da Neonia. Quando surgiu a oportunidade de a visitar, fiquei bastante curiosa, mas não estava à espera de gostar tanto! Adorámos a experiência e acho que o facto de ser um museu tão interativo faz toda a diferença. Não é daquelas visitas em que passamos o tempo a olhar para as exposições e acabamos por nos aborrecer. Mas antes de vos contar como correu a nossa visita, vamos conhecer um bocadinho da história deste museu e perceber como surgiu este projeto.
Sobre a Neonia
A Neonia é um projeto criado por três portugueses, Vera Mata, Aquiles Barros e Marta Carvalho Araújo, todos com percursos profissionais ligados à ciência e à engenharia. Apesar de já se conhecerem há vários anos, foi em 2021 que decidiram juntar os seus conhecimentos e avançar com a decisão de criar um museu no Porto. O objetivo era trazer para a cidade um conceito diferente daquele a que estamos habituados, inspirado em experiências que já existiam noutros países. Foi assim que começaram a desenvolver o projeto que, três anos mais tarde, em Abril de 2024, viria a abrir portas ao público.
A origem da Neonia deve-se, em grande parte, a uma experiência que Vera Mata teve ainda na adolescência, quando visitou um museu imersivo em França e ficou fascinada com aquilo que encontrou. Este tipo de museu procura envolver os visitantes de uma forma mais ativa, recorrendo a diferentes cenários e tecnologias para criar a sensação de que fazemos parte daquilo que se está a explorar. A partir dessa visita, Vera foi conhecendo outros espaços semelhantes em diferentes países, até surgir a vontade de trazer este conceito para Portugal. Foi também daí que nasceu o conceito de "antimuseu", não por ser contra os museus tradicionais, mas por querer fugir ao formato habitual e incentivar uma maior participação dos visitantes, tornando-os parte da própria experiência.
Na Neonia, a ideia foi recriar alguns dos locais mais conhecidos do Porto, misturando elementos da história da cidade com cenários mais futuristas e uma boa dose de imaginação. Pelo museu, encontramos referências à cultura e às tradições portuenses, algumas delas apresentadas de maneira bastante inesperada. O Mercado do Bolhão, os Jardins do Palácio de Cristal e o rio Douro são alguns dos locais que serviram de inspiração para os diferentes espaços do museu, embora as suas recriações estejam longe de ser fiéis à realidade. Além disso, cada uma das salas tem as suas próprias atividades, pelo que nunca sabemos muito bem o que nos espera a seguir.
A nossa experiência
Visitámos a Neonia no sábado passado, por volta das 17.00h, e a primeira coisa que nos chamou a atenção foi a própria entrada do museu. Apesar de estar numa das ruas mais movimentadas da baixa do Porto, a Rua de Ceuta, a fachada é bastante apelativa e chama facilmente a atenção de quem por ali passa. Mal entrámos, fomos recebidos por um funcionário que validou os nossos bilhetes e nos entregou uma chave para podermos guardar a mochila num dos cacifos disponíveis à entrada. Depois de deixarmos as nossas coisas, estávamos finalmente prontos para dar início à visita!
Quando entrámos na primeira sala, fomos recebidos por outro funcionário, que nos explicou algumas das regras do museu e como funcionavam os QR codes que íamos encontrar durante a visita. Deu-nos também algumas dicas sobre as diferentes atividades e sobre aquilo que podíamos fazer em cada espaço, o que acabou por ser bastante útil. Aliás, uma das coisas de que mais gostámos na Neonia foi precisamente a simpatia e a disponibilidade dos funcionários. Há sempre algum por perto para ajudar, explicar como funcionam as atividades e dar aquelas dicas que fazem toda a diferença. Houve até momentos em que, se não fossem eles, provavelmente nem nos teríamos apercebido de algumas das coisas que podíamos experimentar ou de como o podíamos fazer. Diria mesmo que são uma parte fundamental do museu e que contribuem muito para a boa experiência dos visitantes.








Ao longo da visita, fomos passando por salas inspiradas em diferentes locais e momentos da história do Porto, algumas com recriações bastante curiosas. O que também nos agradou muito foi não ficarmos apenas a olhar para os cenários, já que havia sempre alguma coisa para fazer, desde pequenos jogos a desafios que nos punham a pensar. Não quero contar muitos spoilers sobre aquilo que vão encontrar em cada sala, até porque me parece muito mais engraçado descobrirem essas coisas por vocês próprios durante a visita. Mas deixo-vos um pequeno spoiler: até tivemos oportunidade de dar uns choques um ao outro e de queimar pelos do cotovelo! Não se preocupem, saímos de lá inteiros!
Outra coisa que reparámos foi que o museu estava relativamente vazio. Apesar de termos ido num sábado à tarde, cruzámo-nos com pouco mais de meia dúzia de pessoas durante todo o tempo que lá estivemos. Não sei se o preço dos bilhetes terá alguma influência, mas a verdade é que 24,00€ por adulto é um valor que, à partida, também me faria pensar duas vezes antes de comprar. Agora que já conheço a Neonia, acho que o preço se justifica pela quantidade de atividades e pelo tempo que lá podemos passar. Mas percebo perfeitamente que, para quem ainda não conhece o museu, possa parecer um pouco elevado, sobretudo quando se trata de uma visita em família. Felizmente, existem packs familiares para 3 ou 4 pessoas, que podem ajudar a tornar a visita mais em conta.








Estivemos na Neonia pouco mais de duas horas e nem demos pelo tempo passar! Quando demos por nós, já estávamos na última sala e, sinceramente, ainda ficávamos lá mais um bocadinho, mas tínhamos outros compromissos a seguir. Saímos mesmo satisfeitos com a experiência e, acima de tudo, com orgulho por termos um museu destes no Porto. Não quero com isto desvalorizar aquilo que temos em Portugal, muito pelo contrário, mas confesso que saí de lá a pensar que, quando queremos, também sabemos fazer as coisas muito bem feitas. E a Neonia é um excelente exemplo disso!
- Localização: Rua de Ceuta, 116, no centro do Porto
- Horário: 10.00h às 21.00h, sendo que a última entrada é às 19.30h
- Preço: 24,00€ por adulto e 18,00€ por criança dos 3 aos 17 anos. A entrada é gratuita até aos 2 anos. Existem também packs familiares para 3 ou 4 pessoas e tarifas especiais para grupos de 8 ou mais visitantes. Recomendo consultar os preços atualizados no site oficial da Neonia
- Duração da visita: cerca de 2 horas
- Transportes: a estação de metro mais próxima é a dos Aliados, a cerca de 5 minutos a pé
- Outras informações: existem cacifos para guardar os pertences e não há limite de tempo para a visita, à exceção da primeira sala, onde a permanência máxima é de 15 minutos








Se estão a pensar visitar o Porto ou simplesmente à procura de um programa diferente para fazer na cidade, recomendo-vos uma visita à Neonia! Na minha opinião, é daqueles sítios onde tanto os miúdos como os graúdos se conseguem divertir e, pelo menos no nosso caso, superou mesmo as expectativas. Fomos sem saber muito bem o que nos esperava e acabámos por sair de lá com vontade de recomendar a experiência a toda a gente! 🩷


