A Basílica de São Pedro é o monumento mais emblemático do Vaticano e um dos locais religiosos mais importantes do mundo. Construída sobre o local onde, segundo a tradição cristã, se encontra o túmulo de São Pedro, destaca-se pela sua enorme importância para a Igreja Católica e pela impressionante arquitetura renascentista. Todos os anos recebe milhões de visitantes e, independentemente das crenças de cada um, é um daqueles locais que merece mesmo ser visitado.

Como não queríamos perder tempo em filas, decidimos chegar ao Vaticano bem cedo e foi, sem dúvida, uma ótima decisão. Ao longo deste artigo vou contar-vos como foi a nossa visita à Basílica de São Pedro e partilhar algumas informações que vos podem ser úteis se também estiverem a planear visitá-la.

Como Nasceu a Basílica de São Pedro

Para conseguirmos perceber a importância da Basílica de São Pedro, precisamos primeiro de recuar até à história de São Pedro, um dos doze apóstolos de Jesus e aquele que é considerado o primeiro Papa da Igreja Católica. Segundo a tradição cristã, foi martirizado em Roma durante o reinado do imperador Nero e sepultado na Colina do Vaticano. Cerca de dois séculos e meio mais tarde, o imperador Constantino mandou construir uma grande basílica no exato local onde se acreditava estar o seu túmulo. Essa foi a primeira versão da Basílica de São Pedro, muito diferente daquela que hoje podemos visitar.

Com o passar dos séculos, a basílica mandada construir pelo imperador Constantino foi-se degradando e deixou de oferecer as condições necessárias para receber os milhares de peregrinos que por ali passavam. No início do século XVI, o Papa Júlio II decidiu substituí-la por uma nova basílica, construída exatamente no mesmo local. As obras começaram em 1506 e prolongaram-se durante cerca de 120 anos, contando com a participação de alguns dos maiores artistas e arquitetos do Renascimento italiano. A nova basílica foi consagrada em 1626, sendo que é precisamente esse edifício que ainda hoje domina a Praça de São Pedro e que podemos visitar.

O resultado de mais de um século de trabalho foi uma das maiores obras da arquitetura renascentista. O interior da basílica surpreende não só pelas suas dimensões, mas também pela riqueza artística que guarda. Logo à entrada encontra-se a famosa Pietà de Miguel Ângelo, uma escultura concluída quando o artista tinha apenas 24 anos. Mais ao centro ergue-se o enorme baldaquino em bronze de Bernini, sobre o altar principal. Mas o elemento que mais se destaca em toda a basílica é, sem dúvida, a imponente cúpula desenhada por Miguel Ângelo. Com cerca de 136 metros de altura, tornou-se um dos grandes símbolos do Vaticano e domina toda a paisagem envolvente.

Mais de quatro séculos depois da sua conclusão, a Basílica de São Pedro continua a desempenhar um papel central na Igreja Católica. Para alguns, é um importante local de fé, enquanto para outros é uma oportunidade de conhecer a sua história, a sua arte e a sua arquitetura. Seja pela religião, pela cultura ou simplesmente pela curiosidade, é fácil perceber porque continua a atrair visitantes de todo o mundo.

A fachada da Basílica de São Pedro ao início da manhã, com a cúpula de Miguel Ângelo por trás e a praça ainda praticamente vaziaA cúpula de Miguel Ângelo a erguer-se por trás da fachada da basílica, com as estátuas alinhadas na balaustrada e a inscrição em latimDetalhe da fachada da Basílica de São Pedro, com o relógio, o brasão papal e as estátuas sobre a balaustradaA lanterna no topo da cúpula da Basílica de São Pedro, com a esfera dourada e a cruz, e visitantes na varanda em voltaO interior da cúpula da Basílica de São Pedro visto de baixo, com os mosaicos dourados e a inscrição em latim em volta da lanternaUma das cúpulas menores da basílica, decorada com frescos e rodeada pelo teto de caixotões douradosTeto de caixotões dourados da Basílica de São Pedro, com a inscrição em latim e duas esculturas de mármore sobre um arcoVista da Praça de São Pedro do topo da cúpula, com a colunata de Bernini, o obelisco e a avenida a seguir até ao rio Tibre

Explorando a Basílica: exterior, cúpula e interior

Para aproveitarmos ao máximo a nossa visita ao Vaticano, chegámos lá por volta das 07.15h. Tínhamos planeado começar pela subida à cúpula, visitar depois o interior da basílica e terminar a manhã nos Museus do Vaticano e na Capela Sistina. Acabou por correr exatamente como esperávamos e, para nós, esta ordem fez todo o sentido.

O exterior

A Basílica de São Pedro domina por completo a Praça de São Pedro e, mesmo depois de já termos visto centenas de fotografias, percebemos rapidamente que nenhuma delas consegue transmitir a verdadeira dimensão do edifício.

A fachada principal, concluída no início do século XVII, estende-se por mais de 100 metros de largura e é construída em travertino, uma pedra muito utilizada nos grandes monumentos de Roma. No topo da fachada encontram-se as estátuas de Jesus Cristo, de São João Batista e de onze dos doze apóstolos. São Pedro não está representado, uma vez que toda a basílica lhe é dedicada e a sua estátua ocupa uma posição de maior destaque na Praça de São Pedro. Atrás do conjunto de estátuas, sobressai a enorme cúpula de Miguel Ângelo.

Como já tinha referido, chegámos mesmo muito cedo ao Vaticano e, por isso, a Praça de São Pedro estava praticamente deserta. Aproveitámos para observar a basílica, apreciar toda a sua imponência e tirar algumas fotografias sem praticamente ninguém à volta. Se tivéssemos chegado um pouco mais tarde, já não teria sido possível aproveitar aquele momento da mesma forma.

  • Horário (praça): sempre aberta
  • Preço: gratuito
A autora e o companheiro na Praça de São Pedro deserta ao início da manhã, com a fachada da basílica por trásA autora em frente à fachada da Basílica de São Pedro, com a estátua de São Pedro à esquerda e a praça vaziaA autora junto ao obelisco da Praça de São Pedro, com a colunata de Bernini e uma das fontes por trásA fachada da basílica vista de baixo, com as colunas de travertino, os capitéis coríntios e um relevo esculpidoA fachada da Basílica de São Pedro vista de frente, com as estátuas no topo e o relógio, sem gente na praçaUm guarda suíço, com o uniforme de listas azuis, vermelhas e amarelas, junto a um dos portões de acesso ao VaticanoO companheiro da autora em frente à basílica, com a cúpula e uma das fontes da praça por trásA autora com os pais em frente à fachada da Basílica de São Pedro, na praça ainda vazia

A subida à cúpula

A subida à cúpula era um dos momentos que mais esperávamos desta visita. Enquanto preparávamos a viagem, tínhamos lido vários relatos de pessoas que recomendavam fazê-la logo pela manhã, não só para evitar as filas, mas também porque a parte final do percurso é bastante estreita e, quando há muita gente, pode tornar-se um pouco desconfortável. Felizmente, como chegámos cedo, não tivemos de esperar nada. Comprámos os bilhetes e começámos logo a subir.

Para chegar ao topo da cúpula existem duas opções: (1) fazer os 551 degraus completamente pelas escadas ou (2) utilizar o elevador até ao terraço da basílica e subir apenas a parte final, que ainda assim tem cerca de 320 degraus. Como gostamos deste tipo de desafios, nem pensámos duas vezes e fizemos a subida completa a pé. Apesar de ainda serem muitos degraus, fez-se bastante bem. Fomos sempre ao nosso ritmo e, como já estamos habituados a estas subidas, nunca sentimos grandes dificuldades. Ainda assim, é óbvio que chegámos lá acima um pouco ofegantes e com calor, o que acho que era perfeitamente normal.

Já perto do topo, os corredores tornam-se bem mais estreitos e inclinados. Foi aí que percebemos porque é que tanta gente recomenda fazer esta subida logo de manhã. Como praticamente não nos cruzámos com ninguém, fizemos toda esta parte com calma e sem qualquer sensação de aperto. Acredito que, com muito mais pessoas, a experiência possa ser bem diferente.

Quando chegámos finalmente ao topo, conseguimos perceber que o esforço tinha valido a pena! Lá de cima temos uma perspetiva completamente diferente da Praça de São Pedro e de toda a envolvente do Vaticano. Ficámos vários minutos a apreciar a vista e a tirar fotografias antes de iniciarmos a descida, que se faz por um percurso diferente do da subida, o que evita que as pessoas se cruzem nas zonas mais estreitas. Ao todo, demorámos cerca de uma hora desde que começámos a subida até voltarmos cá abaixo. Se também gostam de subidas destas, acho mesmo que vale a pena subir à cúpula.

  • Horário (cúpula): no Verão (29 de Março a 25 de Outubro), das 07.00h às 18.00h; no Inverno (26 de Outubro a 28 de Março), das 07.30h às 17.00h
  • Preço: 10,00€ na subida completa pelas escadas (551 degraus) ou 15,00€ com elevador mais escadas (cerca de 320 degraus)
  • Duração média: cerca de 1 hora (depende do ritmo e do tempo que passarem no topo)
  • Onde comprar o bilhete: na bilheteira junto ao acesso à cúpula, mas recomendo comprarem antecipadamente online no site oficial
  • Onde se sobe: no lado direito do interior da Basílica de São Pedro, seguindo as indicações para a cúpula
O companheiro da autora a subir a escada em caracol da cúpula, visto de cimaA mãe da autora numa das escadas estreitas da cúpula, junto à marca dos 320 degrausA autora com as mãos nas duas paredes de um corredor estreito e inclinado, na parte final da subida à cúpulaO corredor curvo no interior do tambor da cúpula, com mosaicos de anjos e mascarões nas paredesAs estátuas dos apóstolos alinhadas na balaustrada do telhado da basílica, vistas do terraçoVista do topo da cúpula sobre os Jardins do Vaticano e os telhados de RomaA autora a olhar para a Praça de São Pedro através das grades do topo da cúpula, com a colunata e a avenida ao fundoA autora e o companheiro no topo da cúpula, com Roma a perder de vista por trás das grades

O interior

Depois de descermos da cúpula, voltámos ao interior da basílica para a explorar melhor. Apesar de já termos feito a subida, ainda era relativamente cedo (por volta das 08.30h) e o ambiente continuava muito tranquilo. Havia pouca gente lá dentro, o que nos permitiu ver tudo com calma. Os tetos e os pilares são enormes e ajudam a perceber a escala do espaço.

Percorremos a basílica de uma ponta à outra. Parámos algum tempo na Pietà, que é uma das esculturas mais admiradas do mundo. Apesar de compreender perfeitamente que esteja protegida por questões de segurança e conservação, confesso que gostava que fosse possível observá-la um pouco mais de perto. Senti que a distância não permite apreciar a obra como ela merece. Mais ao centro está o baldaquino de Bernini, e é impossível ficar indiferente à sua dimensão.

Conseguimos fazer tudo isto com uma tranquilidade que dificilmente teríamos uma ou duas horas mais tarde. Quando saímos, a fila para entrar já era bastante longa. Foi mais uma confirmação de que chegar cedo fez toda a diferença.

  • Preço: entrada gratuita
  • Horário: no Verão (29 de Março a 25 de Outubro), das 07.00h às 19.10h; no Inverno (26 de Outubro a 28 de Março), das 07.00h às 18.30h
  • Controlo de segurança: obrigatório antes de entrar, sendo que em dias de maior afluência a fila pode ultrapassar 1 hora
  • Código de vestuário: não são permitidos ombros destapados, tops, saias ou calções acima do joelho
  • Duração da visita: cerca de 30 minutos (sem a subida à cúpula)
  • Fotografias: permitidas, mas sem flash
A autora na nave da Basílica de São Pedro, com o baldaquino de Bernini iluminado ao fundoA Pietà de Miguel Ângelo, protegida por vidro, na primeira capela à direita da entrada da basílicaA abóbada de caixotões dourados da nave central, com a inscrição em latim a correr sob a cúpulaO baldaquino de bronze de Bernini visto de baixo, com a cúpula de Miguel Ângelo por cimaA estátua de bronze de São Pedro sentado no trono, com a chave na mão, sobre um fundo de mosaicos vermelhos e douradosUm dos monumentos funerários da basílica, com uma figura alada em mármore e um medalhão com um retratoAs marcas em latim no chão de mármore da nave, que indicam o comprimento de outras grandes basílicas do mundoA autora de costas numa das naves laterais da basílica, com um dos altares e outros visitantes ao fundo

A Basílica de São Pedro foi um dos locais de que mais gostámos durante a nossa viagem a Itália e ao Vaticano, em 2022. Na altura ainda existiam algumas restrições relacionadas com a COVID-19, o que explica as máscaras faciais que aparecem em algumas das fotografias. Independentemente da religião de cada um, a basílica marca pela sua história, pela arquitetura e pela dimensão. Diria que é uma visita absolutamente obrigatória! Se pudesse deixar apenas um conselho, seria este: cheguem cedo. Não precisam de madrugar tanto como nós, mas tentem chegar por volta das 08.00h ou 08.30h. Acredito mesmo que isso faz toda a diferença e vos permite aproveitar a visita com muito mais tranquilidade. 🩷