
Visitar os pandas no Chengdu Research Base
Uma das visitas que mais queríamos fazer durante a nossa viagem à China era conhecer os famosos pandas gigantes. Na verdade, foi precisamente por causa deles que encaixámos Chengdu no nosso roteiro. Em Abril de 2025, quando estivemos na China, aproveitámos então para visitar o Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding e ver estes animais de perto. Já sabíamos que eram fofos, mas vê-los ao vivo foi ainda melhor. Estavam sempre a comer e eram uns autênticos trapalhões, sempre a cair e a fazer das suas.
Chegámos ao Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding bem cedo, porque queríamos apanhar os pandas numa altura em que estivessem mais ativos. É durante a manhã que os treinadores lhes dão a comida e, por isso, é também quando temos mais hipóteses de os ver em movimento. Achávamos nós que íamos encontrar pouca gente, mas estávamos na China e isso é praticamente impossível! Fomos percorrendo os diferentes espaços e parando sempre que víamos um panda, o que aconteceu mesmo muitas vezes.
Mas os pandas são muito mais do que um animal fofinho que todos queremos ver de perto. Têm uma importância enorme na cultura chinesa e são um dos grandes símbolos do país, apesar de hoje podermos encontrá-los em vários lugares do mundo. Neste artigo vou contar-vos um pouco mais sobre estes animais e partilhar convosco a nossa experiência durante a visita.
Sobre os pandas gigantes
Quando pensamos em pandas gigantes, é quase impossível não pensar imediatamente na China. E não é por acaso. Os pandas são originários das regiões montanhosas do centro da China e, atualmente, os que vivem em estado selvagem encontram-se sobretudo na província de Sichuan, onde fica Chengdu, e em algumas zonas das províncias vizinhas, como Gansu e Shaanxi. Vivem em florestas de montanha, onde encontram aquilo de que mais precisam para sobreviver, o bambu. Mas a história destes animais é muito mais antiga do que podemos imaginar. Os seus antepassados existem há milhões de anos e, ao longo do tempo, foram-se adaptando cada vez mais a este tipo de alimentação. Aliás, os pandas já viveram numa área bastante maior do que aquela onde os encontramos atualmente. Foram encontrados fósseis noutras regiões da China e até em zonas do Sudeste Asiático, mas com a redução das áreas onde viviam, foram ficando cada vez mais limitados às regiões montanhosas onde ainda hoje sobrevivem.
Uma das coisas mais curiosas nos pandas gigantes é a quantidade de tempo que passam a comer. Apesar de serem ursos e pertencerem à ordem dos carnívoros, cerca de 99% da sua alimentação é composta por bambu. O problema é que o bambu não é propriamente um alimento muito nutritivo, por isso precisam de comer grandes quantidades ao longo do dia para conseguirem obter energia suficiente. Podem passar entre 10 e 16 horas por dia a alimentar-se e, para conseguirem triturar os caules mais duros, têm dentes e mandíbulas bastante fortes. E há outra coisa que também percebemos rapidamente durante a nossa visita a Chengdu. Quando não estão a comer ou a dormir, parecem estar quase sempre a inventar alguma trapalhada. Trepam, rebolam, escorregam e, muitas vezes, acabam mesmo por cair. Foi impossível não ficar ali a observá-los durante bastante tempo.
Os pandas gigantes são também um dos animais mais associados à cultura chinesa e a sua importância vai muito além da conservação da espécie. Durante séculos, foram vistos como animais especiais e, mais recentemente, tornaram-se também uma espécie de embaixadores do país. É por isso que podemos encontrar pandas em jardins zoológicos de várias partes do mundo, através de programas de cooperação e conservação com instituições chinesas. Outra curiosidade é que os pandas não nascem com aquela pelagem preta e branca que vemos nos adultos. Quando nascem, são muito pequenos e têm o corpo praticamente cor-de-rosa, com pouco pelo, começando a ganhar as manchas características à medida que crescem.












Uma das maiores dificuldades na conservação dos pandas gigantes está precisamente na reprodução. As fêmeas entram no período fértil apenas durante alguns dias por ano, o que torna a reprodução bastante difícil e deixa uma janela muito pequena para que tudo aconteça. Depois, quando nasce uma cria, os primeiros tempos também são bastante delicados, já que os bebés nascem extremamente pequenos e dependentes da mãe. É por isso que os programas de reprodução têm um papel tão importante na preservação da espécie. E é precisamente aqui que entram centros como o Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding, onde são desenvolvidos programas de reprodução, investigação e cuidados com as crias.
Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding
O Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding foi criado em 1987 com um objetivo muito específico, ajudar a proteger e aumentar a população de pandas gigantes. Na altura, o centro começou com apenas seis pandas que tinham sido resgatados da natureza e, desde então, foi crescendo até se tornar num dos principais centros de conservação e reprodução desta espécie. Hoje, o trabalho desenvolvido vai muito além da reprodução. Existe também investigação científica, cuidados veterinários, educação ambiental e programas de conservação, incluindo estudos relacionados com a reintrodução de pandas na natureza. Ou seja, não se trata de um jardim zoológico onde podemos simplesmente ir ver pandas. Grande parte do trabalho deste centro acontece precisamente para garantir que esta espécie continua a existir no futuro.
O centro fica no distrito de Chenghua, no nordeste de Chengdu, a cerca de 10 quilómetros do centro da cidade, e ocupa uma área enorme. A zona central tem cerca de 238 hectares e está organizada entre áreas de floresta, bambuzais, lagos e vários espaços onde vivem os animais. Atualmente, o centro alberga mais de 270 pandas gigantes, além de pandas vermelhos e outras espécies raras. Os pandas vermelhos são bastante diferentes dos gigantes, tanto no tamanho como na aparência e, tal como o nome indica, têm uma pelagem em tons avermelhados. É um espaço enorme, onde é fácil passar várias horas a caminhar entre as diferentes zonas e a descobrir pandas escondidos entre o bambu.
Ao longo das últimas décadas, o Chengdu Research Base foi crescendo e assumindo um papel cada vez mais importante na conservação e reprodução dos pandas gigantes. O centro recebe visitantes de vários países e junta a vertente de conservação com a possibilidade de conhecer estes animais no local onde são acompanhados e estudados, algo que ajudou a tornar Chengdu tão associada aos pandas. Para nós, foi precisamente essa combinação que tornou a visita tão interessante. Por um lado, tínhamos finalmente a oportunidade de ver ao vivo os animais que nos tinham feito incluir Chengdu no roteiro. Por outro, estávamos num lugar onde existe todo um trabalho de investigação e conservação por trás daquilo que vemos. E depois de percebermos melhor como funciona o centro, posso dizer que a visita acabou por ter um significado ainda mais especial.
- Horário: 07.30h–18.00h de Março a Outubro e 08.00h–17.30h de Novembro a Fevereiro.
- Preço: adulto 55 RMB, estudante 27 RMB.
- Entrada gratuita: crianças com ≤6 anos ou ≤1,30 m de altura, e maiores de 60 anos.
- Duração da visita: cerca de 3 a 4 horas.
A nossa experiência
Comprámos os bilhetes online antes da visita e, nessa manhã, fomos de DiDi desde o nosso hotel até ao Chengdu Research Base. Na China, andar de DiDi é bastante barato e, para nós, acabou por ser a opção mais simples. Não valia a pena estar a perder tempo com transportes públicos quando podíamos chamar um carro e ir diretamente para lá. Começámos o dia ainda um bocadinho cansados, porque na noite anterior o meu marido tinha ficado indisposto depois de comer uma coisa demasiado condimentada e picante. Por isso, acordámos a pensar que íamos gerir o dia com mais calma e ver como ele se sentia. Mas mal chegámos aos pandas, acho que ele se animou logo!
Fizemos toda a visita a pé e fomos percorrendo os diferentes espaços, parando sempre que aparecia um panda. E estavam constantemente a aparecer! Havia pandas a comer, a dormir, a trepar e, claro, a cair, porque parece que fazem questão de proporcionar entretenimento gratuito aos visitantes. Na verdade, descobrimos que na China há pandas em todo o lado, até nas Coca-Colas! Achávamos que íamos gostar da visita, mas acabou por superar as nossas expectativas.












O Chengdu Research Base recebe milhões de visitantes todos os anos e continua a desenvolver trabalho de investigação, conservação e reprodução dos pandas gigantes. No fundo, os bilhetes que pagamos ajudam também a que este trabalho possa continuar e a garantir que os pandas tenham mais condições para continuar a existir no futuro. Para nós, valeu mesmo a pena ter incluído Chengdu no roteiro só por causa dos pandas. Foi uma visita que superou as nossas expectativas e que nos deixou ainda mais rendidos a estes trapalhões. 🩷
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