
Museu Memorial da Paz de Hiroshima: uma visita que não deixa ninguém indiferente
O Museu Memorial da Paz de Hiroshima foi criado para preservar a memória das vítimas da bomba atómica e contar o que aconteceu na cidade a 6 de Agosto de 1945. Ao longo da visita, encontramos objetos pessoais, fotografias, documentos e testemunhos de pessoas que viveram aquele dia e as suas consequências. Em vez de ficar apenas pelos números e pelos acontecimentos, o museu mostra histórias concretas e pequenos objetos do dia a dia que ajudam a perceber o impacto que a explosão teve na vida de milhares de pessoas.
Durante a nossa viagem pelo Japão, em 2025, aproveitámos para fazer uma escapadinha de um dia desde Osaka até à região de Hiroshima, onde visitámos o museu e alguns dos principais pontos da cidade. O Museu Memorial da Paz era uma das nossas prioridades e fizemos questão de o incluir no roteiro. É uma visita pesada, mas que permite compreender melhor o que aconteceu e conhecer as histórias de quem estava na cidade naquele dia.
O que aconteceu em Hiroshima?
Em Agosto de 1945, a Segunda Guerra Mundial aproximava-se do fim, mas o conflito entre os Estados Unidos e o Japão continuava no Pacífico. Hiroshima tinha uma importante presença militar e acabou por ser o alvo escolhido. Foi neste contexto que, na manhã do dia 6, o Enola Gay, um avião da Força Aérea americana, lançou sobre a cidade a Little Boy, a primeira bomba atómica alguma vez utilizada numa guerra. A explosão aconteceu às 08.15h e provocou uma enorme destruição, deixando grande parte do centro devastado. Estima-se que cerca de 350 mil pessoas estivessem em Hiroshima naquele momento, entre habitantes, militares e pessoas que tinham vindo de outras localidades.
Nunca foi possível determinar o número exato de vítimas, mas estima-se que cerca de 70 mil pessoas tenham morrido no próprio dia. Contudo, o número continuou a aumentar nos meses seguintes e, até ao final de Dezembro de 1945, acredita-se que cerca de 140 mil pessoas tenham morrido em consequência da explosão, dos ferimentos e da radiação. Este é apenas um pequeno resumo de um dos acontecimentos mais terríveis do século XX, cuja dimensão e consequências se prolongaram muito para além daquele dia.




Da destruição à memória
Depois da bomba, Hiroshima ficou praticamente destruída e a reconstrução prolongou-se ao longo dos anos seguintes. No mesmo ano do ataque, começaram a surgir as primeiras ideias para reconstruir a cidade, preservando ao mesmo tempo a memória daquilo que tinha acontecido. Em 1949, foi aprovada a Lei de Construção da Cidade Memorial da Paz de Hiroshima, que definiu as bases para a reconstrução e para a criação de espaços dedicados à memória de todas as vítimas.
A partir daí, a ideia de preservar essa memória foi ganhando forma. Nos anos seguintes ao ataque, surgiram as primeiras exposições sobre a bomba e, em 1955, abriu oficialmente o Museu Memorial da Paz de Hiroshima, no Parque Memorial da Paz. O museu reúne objetos, fotografias e testemunhos que ajudam a contar o que aconteceu, dando especial atenção às histórias pessoais de quem estava em Hiroshima nessa manhã. É esta parte mais pessoal que acaba por marcar a visita ao museu.
A visita ao Museu Memorial da Paz
O Museu Memorial da Paz de Hiroshima fica na zona sul do Parque Memorial da Paz, junto ao rio Motoyasu. É um dos principais edifícios do parque e recebeu mais de 2,5 milhões de visitantes em 2025. Com tanta gente a passar pelo museu, há bastante movimento no interior e, no nosso caso, nas zonas em que o percurso é mais estreito ficou mesmo um pouco confuso. Nós chegámos por volta das 11.00h e ficámos cerca de duas horas. Comprámos os bilhetes nas máquinas automáticas logo à entrada, deixámos as mochilas nos cacifos e subimos depois para a zona da exposição propriamente dita. Todo o processo de entrada foi bastante rápido.
A exposição começa por explicar o que aconteceu na manhã da explosão e, ao longo das salas, vai dando a conhecer as consequências que se seguiram. Primeiro encontramos uma visão geral da destruição, com fotografias, mapas e imagens de Hiroshima antes e depois da bomba. Depois, a exposição torna-se mais pessoal, com objetos que pertenciam às vítimas, muitos deles recuperados após a explosão. Alguns estão acompanhados pelas histórias das pessoas a quem pertenciam, permitindo perceber quem eram e o que lhes aconteceu.
Ao longo do percurso encontramos também testemunhos dos hibakusha, nome dado no Japão às pessoas que sobreviveram aos bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki. Através dos seus relatos, percebemos não só o que viveram no momento da explosão, mas também as consequências que enfrentaram nos anos seguintes. É uma parte bastante pesada da visita, mas que nos dá uma perspetiva muito diferente e que nos ajuda a perceber de forma mais aproximada aquilo que aquelas pessoas viveram.
- Horário: 07.30h às 19.00h, com o fecho a variar consoante a época do ano: até às 20.00h em Agosto e às 18.00h de Dezembro a Fevereiro. Consultar o site oficial antes da visita.
- Preço: 200 ienes por adulto, cerca de 1,10€ à taxa de câmbio atual.
- Duração da visita: Depende do ritmo de cada pessoa, mas recomendamos reservar cerca de 2 a 3 horas para visitar o museu com calma.












Visitar o Museu Memorial da Paz de Hiroshima não é uma experiência bonita nem fácil. É uma visita muito pesada, daquelas que nos deixam a pensar mesmo depois de sairmos. Nas viagens que já fiz, visitei outros lugares com uma carga histórica semelhante, como Auschwitz, o Museu do 11 de Setembro em Nova Iorque e a Prisão de Alcatraz.
É precisamente por isso que considero que vale a pena incluir o museu num roteiro por Hiroshima. Para mim, foi sem dúvida um dos momentos mais marcantes da minha viagem pelo Japão. 🩷

