O Jardim Majorelle é um dos lugares mais conhecidos de Marrakech e, provavelmente, também um dos mais fotografados. Quem já viu imagens deste jardim reconhece facilmente o azul intenso, conhecido como azul Majorelle, que aparece em vários elementos espalhados pelo espaço e que acabou por se tornar uma verdadeira imagem de marca. Apesar de ser hoje uma atração muito popular na cidade, tudo começou como um projeto pessoal do pintor francês Jacques Majorelle, que foi criando e transformando o jardim ao longo de várias décadas. O resultado é um lugar claramente diferente do resto de Marrakech, onde a vegetação, a arquitetura e a cor se combinam de uma forma muito própria.

Com cerca de 9.000 m² e mais de 100 anos de história, o Jardim Majorelle foi sendo pensado ao pormenor, reunindo espécies vegetais vindas de vários cantos do mundo, desde cactos e palmeiras até outras plantas exóticas trazidas das viagens de Jacques Majorelle. A história do jardim ganhou uma nova dimensão quando, em 1980, Yves Saint Laurent e Pierre Bergé compraram a propriedade e tiveram um papel essencial na sua recuperação e preservação. Hoje, o jardim é uma visita muito procurada por quem passa por Marrakech e um daqueles lugares que se reconhecem à primeira vista. Neste artigo vamos conhecer um pouco melhor a história do Jardim Majorelle e perceber como funciona a visita.

Quem era Jacques Majorelle?

Jacques Majorelle nasceu em 1886, em Nancy, França, e era filho de Louis Majorelle, um conhecido designer de mobiliário ligado ao movimento Art Nouveau. Seguiu, no entanto, um caminho diferente do pai e dedicou-se à pintura. Em 1917 chegou a Marrocos a convite do marechal Lyautey, residente-geral francês no país, também natural de Nancy, que tinha um interesse particular pelas artes e procurava atrair artistas para Marrocos. Jacques Majorelle ficou especialmente ligado a Marrakech, onde se instalou alguns anos mais tarde. A cidade, as cores e as paisagens marroquinas começaram rapidamente a influenciar o seu trabalho e tornaram-se uma presença constante nas suas pinturas. Foi também durante este período que, aproveitando a proximidade, passou a viajar com frequência por outras regiões do Norte de África, procurando novos cenários e inspirações para aquilo que ia criando.

Em 1923, Jacques Majorelle comprou uma grande área de palmeiral nos arredores de Marrakech, onde começou a criar aquele que viria mais tarde a ser o Jardim Majorelle. Para além da pintura, tinha também um grande interesse por botânica e foi juntando na propriedade várias espécies trazidas das suas viagens. O jardim acabou por se tornar quase uma extensão do seu trabalho artístico, onde podia experimentar com a cor, a vegetação e a própria arquitetura.

Jacques Majorelle continuou a viver e a trabalhar em Marrakech durante várias décadas e ficou profundamente ligado à cidade. A sua obra ajudou a divulgar paisagens, pessoas e ambientes do Norte de África através da pintura, mas foi o jardim que se tornou o seu legado mais conhecido. Depois de sofrer um acidente de carro, foi repatriado para Paris, onde morreu em 1962. Ainda assim, o nome Majorelle continuou ligado a Marrakech, não só pelo jardim, mas também pelo azul intenso que criou e que ainda hoje é imediatamente associado a este lugar.

A história do Jardim Majorelle

A história do Jardim Majorelle começou no início da década de 1920, quando Jacques Majorelle adquiriu um extenso palmeiral perto de Marrakech. Na altura, esta zona ficava afastada do centro da cidade e foi aqui que o pintor começou a criar um espaço onde pudesse viver e trabalhar, mas também dar asas a outra das suas grandes paixões, para além da pintura, a botânica. Durante cerca de quatro décadas, foi transformando o terreno aos poucos, acrescentando novas plantas e moldando o jardim à sua imagem. Em 2024, o Jardim Majorelle assinalou 100 anos desde o início deste projeto, que veio a crescer muito para além daquilo que começou por ser uma propriedade privada.

Jacques Majorelle não tinha intenção de criar apenas um jardim bonito à volta da sua casa. Desde cedo começou a tratar aquele terreno quase como um laboratório botânico, onde experimentava diferentes espécies e percebia quais eram as que melhor se adaptavam ao clima de Marrakech. Muitas das espécies chegavam das viagens que ia fazendo e, aos poucos, foram surgindo exemplares vindos de várias partes do mundo, entre eles cactos, palmeiras, bambus e plantas aquáticas. O jardim foi crescendo de forma orgânica, com caminhos a cruzarem-se, diferentes níveis e zonas pensadas para criar ambientes distintos. Hoje ocupa cerca de 9.000 m², mas aquilo que conseguimos ver é o resultado de muitos anos de experiências e alterações feitas pelo próprio Majorelle.

Em 1931, Jacques Majorelle decidiu dar um passo importante na transformação da propriedade e pediu ao arquiteto francês Paul Sinoir que desenhasse um novo atelier. O edifício, de estilo Art Déco e bastante moderno para a época, passou a funcionar como espaço de trabalho no piso térreo e como habitação no piso superior. A arquitetura contrastava bastante com o resto da propriedade e acabou por lhe dar uma identidade ainda mais própria. Poucos anos depois, em 1937, surgiu também aquele que viria a tornar-se o elemento mais reconhecível de todo o jardim. Majorelle criou um tom de azul muito intenso e começou a utilizá-lo nas paredes e em vários outros elementos da propriedade, criando um contraste forte com o verde da vegetação. A cor ficou conhecida como azul Majorelle e continua hoje, sem dúvida alguma, a ser uma das grandes imagens de marca deste lugar.

Em 1947, Jacques Majorelle decidiu abrir o jardim ao público porque precisava de encontrar uma forma de ajudar a financiar a sua manutenção. A entrada passou então a ser paga e o dinheiro arrecadado ajudava a suportar parte dos custos necessários para manter e continuar a desenvolver o Jardim Majorelle. O espaço permaneceu aberto depois da morte de Majorelle, em 1962, mas foi ficando progressivamente mais degradado ao longo dos anos e chegou mesmo a estar ameaçado por um projeto imobiliário que previa a sua destruição. Foi precisamente para impedir que esse projeto avançasse que, em 1980, Yves Saint Laurent e Pierre Bergé decidiram comprar a propriedade e iniciar a recuperação do jardim.

Yves Saint Laurent e Pierre Bergé já conheciam o Jardim Majorelle desde 1966, altura em que fizeram juntos a primeira viagem a Marrocos. Na época eram um casal e também parceiros de negócios, uma ligação que continuou a uni-los durante muitos anos, mesmo depois de a relação amorosa terminar. Depois de comprarem a propriedade, começaram a recuperar o jardim, mantendo a base criada por Jacques Majorelle mas devolvendo-lhe os cuidados de que precisava depois de vários anos de degradação. Foram introduzidas novas espécies de plantas, algumas zonas foram restauradas e a propriedade voltou a ganhar vida. Mais tarde, a antiga casa passou a ser conhecida como Villa Oasis e o atelier de Jacques Majorelle acolhe atualmente o Museu Pierre Bergé das Artes Berberes. A ligação de Yves Saint Laurent ao jardim tornou-se tão forte que, depois da sua morte, em 2008, as suas cinzas foram espalhadas no jardim da Villa Oasis.

Pierre Bergé continuou ligado ao Jardim Majorelle nos anos seguintes e teve um papel importante na preservação da propriedade. O objetivo passou a ser garantir que o jardim continuava protegido e que a identidade criada por Jacques Majorelle se mantinha, mesmo com o número cada vez maior de visitantes. Hoje, mais de 100 anos depois do início deste projeto, o Jardim Majorelle continua a ser cuidado e preservado, mantendo grande parte daquilo que o tornou tão especial desde o início.

Como funciona a visita

Se puderem, tentem visitar o Jardim Majorelle logo de manhã e, de preferência, no primeiro horário disponível. Nós marcámos para as 09.30h, que no dia da nossa visita era precisamente a primeira entrada, e comprámos os bilhetes online no site oficial com cerca de uma semana de antecedência. Atualmente, os bilhetes são vendidos exclusivamente online e o próprio Jardim Majorelle recomenda que sejam comprados com antecedência para garantir a data e o horário pretendidos. Fomos a pé desde o nosso riad, que ficava dentro da Medina e relativamente perto da praça Jemaa el-Fna. Ainda são cerca de 35 a 40 minutos de caminhada, mas nós não nos importamos nada de andar e acabámos por fazer o percurso sem problema. Quando chegámos, havia filas separadas por horário e foi fácil perceber onde tínhamos de ficar. À hora marcada, começaram a deixar entrar o nosso grupo enquanto iam validando os bilhetes e, pouco depois, já estávamos dentro do jardim.

Já dentro do jardim, a zona inicial estava cheia de gente, o que também era normal porque tínhamos acabado de entrar todos praticamente ao mesmo tempo. Felizmente, à medida que fomos avançando, as pessoas começaram a espalhar-se e conseguimos fazer o resto da visita com bastante mais calma. Percorremos praticamente todos os recantos do jardim e estivemos por lá cerca de duas horas, o que para nós foi mais do que suficiente para ver tudo sem correrias e parar sempre que nos apetecia. Não visitámos o Museu Pierre Bergé das Artes Berberes e, sinceramente, não me arrependo. Se voltasse hoje, no entanto, aproveitava para conhecer também o Musée Yves Saint Laurent Marrakech, que fica mesmo ao lado e do qual tenho ouvido falar muito bem. Fica aqui já uma desculpa para voltar a Marrakech, como se eu precisasse disso! Quanto ao Jardim Majorelle, é uma visita que recomendo, sobretudo por ser tão diferente do resto da cidade e por mostrar um lado de Marrakech que dificilmente se encontra noutro ponto.

  • Horário: diariamente, das 08.00h às 18.30h, com última entrada às 18.00h. Como os horários podem sofrer alterações, convém validar sempre no site oficial antes da visita
  • Bilhetes: vendidos exclusivamente online através do site oficial e com entrada marcada por horário - convém comprar com antecedência!
  • Preço: 170 MAD por adulto para visitar apenas o Jardim Majorelle
  • Tempo de visita: cerca de 1.30h a 2.00h para conhecer o jardim com calma

Gostámos bastante de conhecer o Jardim Majorelle e acho que vale a pena incluí-lo num roteiro por Marrakech. Ainda assim, já visitei outros jardins igualmente bonitos, como os City Botanic Gardens de Brisbane ou os Queenstown Gardens, por isso não foi propriamente a dimensão nem a vegetação que mais me surpreendeu. O que gostei mesmo foi do contraste com o resto de Marrakech, porque é um lugar completamente diferente de tudo aquilo que tínhamos visto até então na cidade. E, para mim, a combinação daquele azul intenso com o verde da vegetação é mesmo aquilo que torna o Jardim Majorelle tão marcante e com uma identidade tão própria. Não é por acaso que, em 2023, recebeu mais de 1,2 milhões de visitantes, um número que ajuda a perceber a popularidade que este jardim ganhou ao longo dos anos.

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Perguntas frequentes

O Jardim Majorelle em Marrakech

Do azul Majorelle ao legado de Yves Saint Laurent, a história do jardim mais fotografado de Marrakech e tudo o que há a saber sobre a visita.

Quanto custa a entrada no Jardim Majorelle?

170 MAD por adulto para visitar apenas o Jardim Majorelle.

Qual é o horário do Jardim Majorelle?

Diariamente, das 08.00h às 18.30h, com última entrada às 18.00h. Convém validar sempre no site oficial antes da visita.

Como se compram os bilhetes para o Jardim Majorelle?

Exclusivamente online, no site oficial, com entrada marcada por horário. O próprio jardim recomenda comprar com antecedência para garantir a data e o horário pretendidos.

Quanto tempo demora a visita ao Jardim Majorelle?

Cerca de 1.30h a 2.00h para conhecer o jardim com calma.

Quando foi criado o Jardim Majorelle e por quem?

Foi criado pelo pintor francês Jacques Majorelle, que comprou um palmeiral nos arredores de Marrakech em 1923 e abriu o jardim ao público em 1947.

Quem criou o azul Majorelle?

Jacques Majorelle, que em 1937 criou um tom de azul muito intenso e começou a utilizá-lo nas paredes e noutros elementos do jardim.

Quem salvou o Jardim Majorelle da destruição?

Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, que compraram a propriedade em 1980, quando estava degradada e ameaçada por um projeto imobiliário, e iniciaram a sua recuperação.