
Kawarau Falls Dam: a última tentativa de tirar ouro do rio
A Kawarau Falls Dam foi uma das primeiras paragens que fizemos quando chegámos a Queenstown. Vínhamos de Brisbane e fomos recebidos por um dia de céu azul, embora com um frio que não estávamos propriamente à espera. A barragem fica na região de Frankton, relativamente perto do aeroporto e do hotel onde ficámos alojados, mas um pouco afastada do centro da cidade.
A história da Kawarau Falls Dam
A história da Kawarau Falls Dam está ligada à corrida ao ouro que trouxe milhares de pessoas para esta região da Nova Zelândia. Foi construída numa altura em que havia uma grande procura pelo ouro escondido no rio Kawarau, com o objetivo de controlar o caudal e facilitar o acesso ao leito do rio. A ideia era ambiciosa e acabou por dar origem a uma das histórias mais curiosas desta zona de Queenstown, numa altura em que tudo parecia valer a pena para tentar encontrar mais ouro. Desde os primeiros anos da corrida ao ouro na região de Otago, na Ilha do Sul da Nova Zelândia, acreditava-se que o leito do rio Kawarau escondia grandes quantidades de ouro. Durante décadas, foram surgindo ideias para baixar o nível da água e conseguir explorar o fundo do rio. A ideia chegou mesmo a aparecer num livro de Julius Vogel, publicado em 1889, onde era imaginada a possibilidade de retirar milhões de libras em ouro daquela zona. Em 1922, a ideia começou finalmente a ganhar forma com a criação da Kawarau Gold Mining Company, que tinha um objetivo bastante ambicioso. Construir uma barragem na saída do Lago Wakatipu, em Queenstown, controlar o caudal do rio e deixar o leito do Kawarau exposto para ser explorado.
A construção da barragem começou em 1925 e ficou concluída no ano seguinte, num projeto que custou cerca de 106 mil libras, uma verdadeira fortuna para a época. A ideia era fechar as comportas e deixar o nível do rio baixar o suficiente para que os mineiros pudessem chegar ao leito e procurar o ouro. A grande experiência aconteceu a 30 de Agosto de 1926, quando as comportas foram finalmente fechadas perante uma multidão que esperava para ver se o plano ia resultar.
Mas o plano não correu como esperavam. Quando fecharam as comportas, o nível do rio baixou apenas cerca de um metro, muito menos do que era preciso para deixar o leito do Kawarau à vista. Só que, dez dias depois, tiveram de voltar a abrir as comportas. O problema estava nos rios que continuavam a alimentar o Kawarau, como o Shotover, que traziam água suficiente para impedir uma descida maior do nível. A solução seria construir outras barragens para controlar também esses afluentes, mas o dinheiro acabou por não chegar para levar a ideia para a frente. A grande aposta para encontrar ouro no fundo do Kawarau ficava, assim, muito aquém do esperado.








A barragem vista por nós
Chegámos a Queenstown vindos de Brisbane já perto das 17.00h. Depois de tantas horas dentro de um avião, soube-nos mesmo bem deixar as malas no hotel e ir esticar as pernas. Fomos a caminhar até à Kawarau Falls Dam, que ficava a cerca de 20 minutos a pé. A barragem em si não é nada de extraordinário, mas a vista vale muito a pena. O lago, as montanhas e aquele céu bem azul, apesar do frio, fizeram-nos logo pensar “what a view!”. Foi o nosso primeiro contacto com a Nova Zelândia e não podíamos ter começado de melhor maneira.
Da barragem, seguimos pela marginal em direção à Frankton Beach, passando pelo Peace Park Wakatipu Reforestation Trust. Foi um passeio tranquilo, encontrámos poucas pessoas pelo caminho, que faziam questão de nos cumprimentar sempre, o que acabou por ser o nosso primeiro contacto com a simpatia dos neozelandeses. Como no dia seguinte íamos conhecer o centro de Queenstown, soube-nos bem começar por esta zona mais calma. Aliás, foi também por isso que escolhemos ficar alojados em Frankton. Como íamos levantar o carro no aeroporto e seguir viagem para a região de Milford Sound, ficávamos já mais perto da saída da cidade.
















Para nós, foi uma ótima forma de começar a viagem pela Nova Zelândia. A Kawarau Falls Dam pode não ser a maior atração de Queenstown, mas, juntando a história da barragem, a paisagem e o passeio tranquilo pela marginal, acabámos por passar um fim de tarde muito agradável em Frankton. Não podíamos ter escolhido melhor forma de começar a conhecer Queenstown. 🩷
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