
Teleférico Skyline vs Tiki Trail em Queenstown
Quando começámos a planear a nossa viagem pela Nova Zelândia, percebemos que as atividades que queríamos fazer eram, na maioria, bastante caras. Por causa disso, tivemos de começar a fazer algumas escolhas, porque não ia dar para fazer tudo o que tínhamos em mente. Em Queenstown, percebemos logo isso quando começámos a pesquisar como chegar ao Bob’s Peak e vimos o preço do Teleférico Skyline Queenstown.
Foi aí que pesquisámos outras opções e vimos que era possível fazer a subida a pé pelo Tiki Trail, por isso optámos por guardar esse dinheiro para outras atividades que queríamos muito fazer. Sabíamos que a subida não ia ser propriamente fácil, mas tínhamos tempo. A ideia era fazer o trilho com calma, parando pelo caminho para descansar, tirar algumas fotografias e aproveitar as vistas incríveis sobre Queenstown. No fim, acabou por ser uma das pequenas decisões da viagem que fez todo o sentido para nós, até porque acabámos por aproveitar o percurso muito mais do que estávamos à espera.
Subida ao Bob’s Peak pelo Tiki Trail
No nosso primeiro dia completo na Nova Zelândia, ainda estávamos a recuperar do jet lag, mas não queríamos perder tempo. O objetivo era conhecer o centro de Queenstown e aproveitar o dia ao máximo. Como estávamos hospedados em Frankton, perto da Kawarau Falls Dam, depois do pequeno-almoço apanhámos um Uber até ao centro de Queenstown, mais precisamente até à base do Tiki Trail, onde começámos a subida ao Bob’s Peak.
Começámos a subir por volta das 08.00h e, logo nos primeiros minutos, um senhor passou por nós a correr trilho acima. Olhámos uns para os outros e pensámos logo que, afinal, aquilo não devia ser assim tão difícil. Claro que rapidamente percebemos que não era bem assim! Fomos sempre os quatro juntos e, apesar dos cerca de 2,1 km, a subida fez-se sentir por causa da inclinação e do terreno irregular. Havia algumas zonas com pedras onde era preciso ter mais cuidado. Não era nada de outro mundo, mas também não foi uma subida que se fizesse sem esforço. Posso dizer que, no dia seguinte da viagem, os gémeos estavam bem doridos e a berrar por socorro.








Fomos fazendo várias paragens pelo caminho, umas porque já precisávamos de recuperar o fôlego e beber água, outras porque aparecia uma vista bonita e valia a pena parar para tirar algumas fotografias. Fizemos o trilho com calma, sempre ao nosso ritmo e sem pressa de chegar ao topo. Contudo, comecei de kispo e camisola e, à medida que avançávamos, fui tirando a roupa pelo caminho até chegar ao topo de manga cavada.
Demorámos cerca de uma hora e meia a chegar ao topo e, assim que chegámos ao Bob’s Peak, fomos aproveitar as vistas sobre Queenstown e do Lago Wakatipu. O céu limpo ajudava a ter uma vista incrível sobre toda a cidade e das montanhas que rodeiam a região. Depois de todo o esforço da subida, chegar ao topo e apreciar aquela paisagem, acreditem, soube ainda melhor. Ficámos por lá cerca de uma hora. Demos uma volta pela loja de lembrancinhas e, depois, fomos experimentar o Luge, que era uma daquelas experiências da Nova Zelândia que queríamos mesmo incluir na viagem.
- Distância: cerca de 2,1 km
- Tempo: cerca de 01.30h a 02.00h para a subida e 45 min a 01.00h para a descida, dependendo do ritmo e das paragens
- Nível de dificuldade: moderado
- Desnível: cerca de 450 m, com inclinação acentuada em vários pontos








Depois do Luge, chegou a hora de descer novamente para o centro de Queenstown e fizemos o caminho inverso, pelo Tiki Trail. A descida foi bem mais tranquila e, como se costuma dizer, “a descer todos os santos ajudam”. Quando chegámos ao centro, estávamos os quatro ligeiramente cansados e com fome. Depois daquela manhã, nada melhor do que recuperar forças com um hambúrguer no famoso Fergburger.
Teleférico da Skyline: a alternativa ao Tiki Trail
Para quem não quiser ou não puder fazer o Tiki Trail, a outra opção para chegar ao Bob’s Peak é o Teleférico Skyline Queenstown. A entrada fica na Brecon Street, mesmo no centro de Queenstown, e o percurso tem cerca de 730 metros, com cerca de 450 metros de desnível, sendo feito em apenas alguns minutos. Durante a subida, é possível ir apreciando a paisagem de Queenstown, com o Lago Wakatipu e as montanhas a acompanhar todo o percurso. As cabines têm capacidade para até 10 pessoas e vão entrando de forma contínua, mas, em alturas de maior movimento, pode haver alguma fila, principalmente junto à bilheteira. Por isso, se decidirem fazer a subida de teleférico, pode compensar comprar os bilhetes online com antecedência.
No fundo, o teleférico é uma forma prática e mais cómoda de chegar ao Bob’s Peak. O bilhete inclui obrigatoriamente a viagem de ida e volta, mas não tem hora marcada, o que permite explorar com calma tudo o que o Bob’s Peak tem para oferecer e só depois voltar novamente ao centro de Queenstown.
- Duração: aproximadamente 5 minutos
- Cabines: capacidade para até 10 pessoas
- Preço: cerca de 69 NZD por adulto (ida e volta)
Um pouco de história
Hoje, chegar ao Bob’s Peak de teleférico parece a coisa mais normal do mundo, mas nem sempre foi assim. Antes da construção do teleférico, o acesso ao Bob’s Peak era feito de uma forma bem mais simples, através de carrinhas Volkswagen Kombi que levavam os visitantes montanha acima. Com o aumento do número de pessoas interessadas em subir ao topo, surgiu a ideia de criar uma forma mais rápida e prática de fazer o percurso.
Foi assim que, em 1966, nasceu a Skyline Enterprises, criada com o objetivo de construir um teleférico que tornasse o acesso ao Bob’s Peak mais fácil e rápido. A construção do primeiro teleférico começou nesse mesmo ano e demorou cerca de um ano. A primeira viagem oficial aconteceu a 17 de Novembro de 1967, com o teleférico a levar os primeiros visitantes até ao topo. Na altura, era o primeiro teleférico aéreo do Hemisfério Sul. O sucesso foi imediato, com cerca de 56 mil passageiros a fazerem a viagem até ao Bob’s Peak logo durante o primeiro ano.
Desde então, o sistema foi sendo renovado e modernizado várias vezes, até chegar às cabines que existem atualmente. Hoje em dia, as vistas do Bob’s Peak são uma das imagens mais conhecidas de Queenstown e fazem deste um ponto de paragem quase obrigatório para quem visita a cidade.




No nosso caso, escolher o Tiki Trail acabou por ser uma decisão ponderada e que fez todo o sentido. Se fosse hoje, faria exatamente da mesma forma. O teleférico é, sem dúvida, uma opção mais cómoda e a experiência deve ser bastante gira, mas, tendo tempo e alguma vontade de caminhar, acho que vale a pena fazer o Tiki Trail. A subida custou um pouco, mas tivemos tempo para fazer tudo ao nosso ritmo, parar quando nos apetecia e aproveitar as vistas pelo caminho. E, claro, ainda conseguimos poupar o dinheiro do teleférico para outras experiências que queríamos muito fazer na Nova Zelândia. 🩷


